Bryan Adams está de volta ao Brasil. O cantor, compositor e multi-instrumentista canadense realiza uma turnê de quatro datas, passando por Rio de Janeiro (Qualistage, 06/03), São Paulo (Vibra São Paulo, 07/03), Curitiba (Live Curitiba, 09/03) e Porto Alegre (Auditório Araújo Vianna, 11/03).
Este que vos escreve pôde conversar com Adams cerca de um mês antes do início da tour nacional, que promove o álbum “Roll with the Punches” (2025). Uma versão em artigo deste bate-papo foi publicada na Rolling Stone Brasil. Por aqui, a íntegra da conversa.
Entrevista com Bryan Adams
Igor Miranda: O quão empolgado você está de tocar no país pela primeira vez em quase sete anos?
Bryan Adams: É ridículo que tenha demorado tanto tempo! Eu deveria demitir meu agente.
Concordo! E demorou bastante tempo até você fazer seu primeiro show, em 2007. Você voltou em 2017 e 2019. O que você lembra de suas visitas ao nosso país?
BA: Tanta coisa. Da última vez que tocamos em São Paulo, tocamos em um estádio ao ar livre e foi, foi, provavelmente, um dos melhores shows que já fizemos na América do Sul, com certeza.
Fiquei muito impressionado quando vi que no ano passado você realizou mais de 130 shows, e em 2024 foram mais de 100. Considerando as viagens ao redor do mundo, isso é bastante. Artistas globais não fazem tantos shows assim. Mesmo no Brasil, você vai se apresentar em quatro cidades, enquanto muitos artistas vêm só a uma ou duas cidades. Quão importante é para você se manter tão ativo em termos de turnês?
BA: É realmente importante, porque o show é a única maneira de divulgar sua música hoje em dia. Claro, você pode obviamente colocar suas músicas no YouTube, no Spotify e tudo mais, mas no final das contas, você precisa chegar às pessoas — e essa é a melhor maneira de fazer isso.
Em seu setlist atual, vi que você também está tocando algumas músicas de outros álbuns recentes, como “So Happy It Hurts”, “Shine a Light” e “Get Up”, além, claro do novo “Roll with the Punches”. Muitos artistas com uma carreira longa tendem a cortar músicas mais novas quando a turnê de seu respectivo álbum acaba. Quão importante é para você seguir tocando as músicas de outros álbuns recentes?
BA: O setlist traz o que é mais divertido. É tipo: “isso realmente funciona”, ou “o pessoal adora essa música”. Mesmo que eles não conheçam, eles adoram a música, a vibe. Então criamos um set envolvente, interessante e colorido. No fim, as pessoas saem pensando: “uau, talvez eu não conhecesse todas essas músicas, mas caramba, foi bom, e é isso que importa”.
Já que mencionei “Roll with the Punches”: cerca de seis meses após o lançamento do álbum, com algumas das músicas já sendo tocadas ao vivo, vendo as reações, como esse álbum soa para você agora?
BA: O álbum soa ótimo. Acabamos de ser indicados para um prêmio no Canadá pelo álbum, como melhor álbum do ano. Eu realmente esperava que também fôssemos indicados a um Grammy, mas tudo bem. Estou realmente orgulhoso do álbum e, principalmente, orgulhoso porque é o meu primeiro lançamento independente, porque eu não tenho mais uma gravadora, não tenho um empresário: estou fazendo tudo sozinho, e isso é empolgante. E eu trabalho com um jovem engenheiro de som chamado Hayden Watson, que antes fazia chá no meu estúdio, e agora ele está gravando a banda. É muito divertido.
Sei que você começou a Bad Records em 2013, mas por que você tomou a decisão de se tornar um artista independente neste momento da sua carreira?
BA: Porque todas as ofertas que vinham de outras gravadoras simplesmente não faziam sentido. Fazia as contas e percebia que eles queriam manter sua música por tantos anos. Falam sobre isso, falam sobre aquilo, mas às vezes acontece, às vezes não. Não há como garantir que vão manter as promessas. Você não pode pressioná-los para dizer: “sim, vamos fazer isso com certeza”. Nada é certo. Então, se nada é certo, então prefiro pular do avião sozinho, sabe? É isso que estou fazendo.
E como tem sido ter sua própria gravadora?
BA: Fantástico! Eu queria ter feito isso há 20 anos.
Por quê?
BA: Porque é realmente muito divertido. Uma das razões pelas quais fiquei feliz de finalmente sair da Universal foi que eu me sentia como um móvel da recepção, sabe? Nunca parecia que eu estava em casa. Nunca parecia que estávamos fazendo como antigamente. Foi bom por um tempo, mas é como ter uma namorada que não quer mais te beijar.
E qual é o seu envolvimento nas atividades da sua gravadora? O que exatamente você faz?
BA: Tudo! Desde escolher a distribuidora das músicas até criar a arte do álbum. Criar os vídeos, fazer a música, checar as provas de prensagem de disco. Tudo. Eu estava falando com um jornalista anterior há pouco sobre como eu nunca tinha ido a uma fábrica de prensagem de discos antes. Dessa vez, eu realmente fui visitar essa fábrica para ver como era feito. Nunca tinha visto antes. É muito interessante.
A Bad Records também conta com outros artistas? Se não, há a intenção de trazer?
BA: Eu acabei de fazer um álbum de Natal com outros artistas.
E que tipo de artistas você gostaria de ter na Bad Records — se você, claro, vier a ter mais?
BA: A Bad Records meio que foi feita para mim. Seria legal se, em algum momento no futuro, pudermos fazer algo com outro artista. Mas não é o motivo principal do selo. O motivo principal do selo é criar um lar para a minha música e um lugar para eu continuar fazendo música. E isso já é bastante! Posso investir na minha própria coisa e decidir que quero gastar meu dinheiro nisso. Sabe, o que poderia ser interessante? Talvez, em vez de álbuns com outros artistas, fazer músicas com outros artistas, assim como fiz com este disco de Natal. E todos nós se apresentarmos juntos.
Falando um pouco sobre o futuro: você tem shows programados até abril, depois retoma sua agenda entre junho e julho. A partir daí, nada foi anunciado. Quais são seus próximos planos após isso?
BA: Fico feliz que tenha perguntado. Obviamente, estarei em fevereiro e março no México e na América do Sul. Depois, em abril, vamos para a África do Sul. Em maio, Norte da África. Em junho, vou para Las Vegas, e no final de junho começo alguns shows acústicos bem minimalistas por toda a Europa Oriental, Itália e Espanha. Em agosto, recomeço minha turnê americana: três meses nos Estados Unidos para, em setembro, começar outra turnê canadense por três semanas. Entre outubro e novembro, serão cidades europeias. Vamos tocar muito este ano.
Um ano cheio! Sendo um artista de sucesso, também muito bem-sucedido em outras áreas, como a fotografia e ter sua própria gravadora, que outras coisas você ainda gostaria de realizar ou conquistar? Há algo que você ainda não fez na sua carreira que gostaria de fazer?
BA: Levo um dia de cada vez, Igor. Não tenho exatamente um plano mestre. Duas semanas atrás, eu gravei um monte de músicas de forma acústica, e vamos lança-las nos próximos seis semanas, e então “Tough Town” (álbum especial do Record Store Day com faixas de uma versão deluxe de “Roll with the Punches”) vai sair. Depois, estarei preparando um novo álbum. Vamos ver o que acontece. Tudo depende das músicas, certo? Se eu conseguir umas boas músicas, eu farei outro disco.
O que você pode nos dizer sobre esse novo álbum?
BA: Nada ainda, é cedo, mas eu já estou mais ou menos seis músicas avançado. Nos últimos meses, eu acabei de compor uma boa, então estamos a caminho. Acho que só precisamos de mais três ou quatro músicas e chegaremos lá.
Minha última pergunta é baseada em uma informação curiosa. Você tem vários hits em diferentes períodos de sua carreira, mas no Brasil, ao menos em termos de certificação de ouro e platina, seu maior sucesso não é “Summer of ’69”, “Heaven” ou “Everything I Do”, mas “Please Forgive Me” uma música da coletânea “So Far So Good”.
BA: Sério?
Sim, é platina dupla, está acima dos outros singles.
BA: Como você sabe disso?
Temos acesso à RIAA (entidade que registra vendas e certificações de álbuns e singles nos EUA) brasileira, que se chama Pró-Musica.
BA: Sério? Isso é incrível, eu não fazia ideia.
Sim! Gostaria de saber quais são suas lembranças de compor e lançar essa música.
BA: Bem, ela foi composta mais ou menos em 1993, quando eu estava montando uma coletânea chamada “So Far So Good”. Essa compilação não existe mais em catálogo. Gravamos essa música na França e é uma música linda. Lembro de ter gravado o vocal tarde da noite em Paris.
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