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No RS, Roger Waters conclui turnê no Brasil sem menção a Bolsonaro



O músico Roger Waters concluiu, na última terça-feira (30), a passagem da turnê “Us + Them” pelo Brasil. A apresentação, oitava do músico no país neste mês, aconteceu no estádio Beira-Rio, em Porto Alegre.

Diferente de outros shows realizados no Brasil, a apresentação em Porto Alegre não contou com qualquer menção, seja direta ou indireta, a Jair Bolsonaro, candidato eleito presidente no último domingo (28).

Bolsonaro foi apresentado no telão em uma lista de políticos considerados “neofascistas” durante o primeiro show de Roger Waters no Brasil, em São Paulo, no último dia 9. Após repercussão negativa, uma tarja com os dizeres “ponto de vista político censurado” passou a cobrir o nome do político. Já no show em Porto Alegre, a tarja seguiu na mesma posição, mas sem a frase sugerindo “censura”.

Aqui foi cortada qualquer crítica ao presidente eleito do Brasil. Crítica essa que apareceu em outros shows. Nada de Bolsonaro no espetáculo de Roger Waters em Porto Alegre. pic.twitter.com/HRT0wMugDJ

— potter (@lucianopotter) 31 de outubro de 2018

A mensagem “Ele Não”, por sua vez, já não vinha sendo exibida no telão – apareceu apenas no primeiro show, em São Paulo, e na apresentação em Curitiba, antes das eleições, no último sábado (27). Em porto Alegre, mais uma vez, os dizeres seguiram ausentes.

– O que Roger Waters pensa quando dizem que ele não deve falar sobre política

Outro detalhe – musical, desta vez – relacionado ao show em Porto Alegre é que a música “Mother” foi cortada do repertório graças a uma forte chuva que caía sobre o estádio Beira-Rio. Apenas “Confortably Numb” foi tocada durante o bis, por “questões de segurança”, segundo anunciou o próprio músico.

Por meio de uma publicação no Instagram, Roger Waters agradeceu ao público brasileiro e pediu que as pessoas “sejam gentis umas com as outras”. Veja:

Uma publicação compartilhada por Roger Waters (@rogerwaters) em

A passagem de Roger Waters pelo Brasil tem gerado polêmica pela exposição de suas visões políticas. Além das críticas feitas no telão, o músico se posicionou em entrevistas, chegando a chamar Bolsonaro de “corrupto”, “louco” e “insano”.

A polêmica tem sido tão grande que a campanha de Bolsonaro moveu uma ação contra o candidato derrotado, Fernando Haddad (PT), acusando Roger Waters de promover “showmícios” em favor dele. Haddad e a produtra T4F Entretenimento foram solicitadas, pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a apresentarem suas defesas para análise. Após essa etapa, será possível decidir se a investigação terá ou não sequência.

(Foto da matéria: Kate Izor / reprodução / Instagram)


Igor Miranda
Jornalista formado pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), com pós-graduação em Jornalismo Digital pela Universidade Estácio de Sá. Escreve sobre música desde 2007. Atualmente, é redator do Whiplash.Net, o maior site sobre rock e heavy metal do Brasil. Também é editor-chefe da revista e site Guitarload, para guitarristas, e redator do site Revista Cifras, a página editorial do portal Cifras.

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