“Back in Black” virou não só um dos álbuns mais bem-sucedidos do AC/DC, como da história da música. Lançado em 1980, o disco que marcou a estreia de Brian Johnson vendeu mais de 27 milhões de cópias somente nos Estados Unidos e, de acordo com estimativas, mais de 50 milhões mundialmente.
Antes de tornar-se um fenômeno, porém, o projeto recebeu uma dura crítica que chateou profundamente o vocalista. O próprio relembrou o momento durante entrevista à rádio 93.3 WMMR em 2021, transcrita pela Ultimate Guitar.
Ao abordar o processo de gravação do projeto, Brian revelou que precisou mudar a sua forma de cantar ao entrar para a banda. Após pedidos do produtor Mutt Lange, o cantor passou a atingir notas mais altas nas canções, como explicado:
“Foi fascinante, porque eu não sabia que conseguia sustentar notas daquela maneira. Foi Mutt Lange, o produtor, quem disse: ‘cante mais alto, já ouvi você fazer isso’. E eu decidi tentar e foi como se eu tivesse sido libertado de uma camisa de força. Quando descobri que podia fazer aquilo, pensei: ‘uau, isso é simplesmente incrível’.”
Empolgado com o resultado, o vocalista resolveu ir até a casa do amigo e ex-companheiro no Geordie para mostrá-lo o disco. No entanto, o colega e guitarrista não gostou do “Back in Black” por achar que a voz de Johnson soava muito diferente. Por consequência, também não acreditava no potencial do trabalho, segundo o cantor:
“Eu não tinha um toca-discos em casa. Levei o disco para a casa de um amigo, e colocamos ‘Hells Bells’ para tocar. Acho que depois de alguns compassos, ele disse: ‘Não, isso nunca vai dar certo. Vamos tomar uma cerveja. Você está cantando agudo demais. Isso não parece com você’.
Johnson disse ter ficado “arrasado” com tal opinião. Ainda admitiu que decidiu beber só para esquecer a situação. Mas, no fim das contas, a crítica não importou, visto que “tudo deu certo de forma fantástica”, em suas palavras:
“Eu fiquei arrasado. Então fui ao pub afogar as mágoas, e ele disse: ‘deixe isso pra lá’. Mas no fim, tudo deu certo de forma fantástica. Ainda não consigo acreditar que já se passaram 40 anos desde que gravamos esse disco. E ainda conseguimos cantar essas músicas no palco. Isso é o mais incrível.”
AC/DC e “Back in Black”
Sétimo álbum de estúdio do AC/DC (sexto na discografia internacional), “Back in Black” foi o primeiro a trazer Brian Johnson na vaga de Bon Scott. A arte de capa toda preta e o título eram sinais de luto em tributo ao cantor falecido em fevereiro de 1980.
As gravações duraram sete semanas e ocorreram em Nassau, Bahamas. A produção ficou a cargo de Robert John “Mutt” Lange, com quem o grupo já havia trabalhado no disco anterior, “Highway to Hell” (1979).
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